ISBN: 978-65-87084-72-5

O Doutor Benignus

R$69,90

Autor: Augusto Emílio Zaluar
Edição: Cartola Editora – março/2021
Dimensões: 16 x 23 cm
Páginas: 250
Formato: CAPA DURA

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Descrição

Em 1875, Augusto Emílio Zaluar escreveu e publicou no Brasil o romance O Doutor Benignus, influenciado pelas obras iniciais de Júlio Verne, Cinco semanas num balão (1863) e Viagem ao redor da lua (1870), e principalmente por Camille Flammarion, astrônomo francês, que publicou, entre outros, o livro A pluralidade dos mundos habitados (1862), referido explicitamente nas páginas do romance. Publicada no jornal O Globo, em fascículos, a obra é considerada o primeiro romance brasileiro no qual se exprimem claramente as várias convenções do gênero ficção científica, que na época ainda estava em formação: o cientista como protagonista, a máquina de ver o futuro e o primitivo mundo perdido. Esta é, de fato, a primeira obra de literatura fantástica escrita no Brasil.

O livro defende o conhecimento científico como forma de alcançar o progresso, construindo assim a identidade de um país. Escrito com uma visão nacionalista, deixando clara a preocupação em caracterizar o Brasil como um território cuja natureza é rica e exuberante, Benignus, médico e cientista amador, pretende provar que o homem americano teria surgido no Brasil e daqui migrado para outros continentes. Apesar de parecer absurda nos dias atuais, a ideia era debatida no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e fundamentada pelo paleontólogo dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801–1880), que defendia essa proposta tomando por base os esqueletos humanos encontrados em cavernas na região de Lagoa Santa, no estado de Minas Gerais.

É de se imaginar que uma obra escrita no século XIX traga inconsistências em relação aos conceitos aceitos pela comunidade científica nos dias de hoje, entretanto, a obra faz clara referência à evolução do homem e à seleção natural de Darwin, hoje plenamente aceita, mas que nem sempre foi assim. É bem possível que, durante as semanas em que o romance foi publicado, muitos leitores tenham ouvido falar de Darwin pela primeira vez, buscando posteriormente outras leituras que envolvessem a teoria da evolução.

Esta obra expressa ao leitor o sonho de Benignus: a visita de um ser espiritual proveniente do Sol que o parabeniza por sua “impaciência de saber”, animando-o a infiltrar o bem na alma de seus semelhantes por meio do conhecimento.

Informação adicional

Peso 300 g
Dimensões 1 × 16 × 23 cm

Sobre o autor

Augusto Emilio Zaluar foi um escritor, poeta e jornalista, nascido em Lisboa. Emigrou para o Brasil, mudando-se para o Rio de Janeiro em 1850, onde naturalizou-se cidadão brasileiro seis anos depois. Entre outras atividades, traduziu obras literárias do francês para jornais cariocas, publicou o livro de poemas Dores e flores, foi redator de O Álbum Semanal (1851–1853) e escreveu um relato de viagens, Peregrinação pela província de São Paulo (1860–1861), antes de mergulhar em sua obra de ficção científica. Fundou o jornal Espelho, além de participar como diretor de O Vulgarisador (1877–1880), uma das primeiras publicações nacionais voltadas à divulgação de ciências.

Escreveu o primeiro perfil biográfico do autor Manual Antônio de Almeida, autor de Memórias de um Sargento de Milícias, logo após o trágico desaparecimento do romancista no naufrágio do Vapor Hermes, na costa fluminense, em dezembro de 1861.

O autor também trabalhou como jornalista no jornal O Globo, escrevendo várias matérias sobre a Exposição Nacional de 1875. No mesmo jornal, iniciou a publicação do romance O Doutor Benignus, antes de publicá-lo efetivamente como livro. Zaluar trouxe para o Brasil, mais do que um novo gênero literário, mas as ideias que povoavam o âmbito científico europeu da época.